Ah, 2011… Você não foi de todo, ruim. Cada momento bom, cada risada, cada brincadeira, cada sorriso; cada confusão, cada aperto, cada medo, cada tudo. Agora eu posso dizer que tudo realmente valeu a pena. Tudo me fez ver o quão marcante cada pequena coisa pode ser, como pessoas podem te conquistar tão rapidamente, como tudo que um dia era sólido e permanente torna-se algo vulnerável e frágil. Cada emoção desse ano só o tornou mais marcante. Mas ainda dá tempo de aproveitar mais. Sorrir mais, aproveitar mais o tempo que me sobra com os amigos. Saber aproveitar… Esse ano me ensinou isso. Aproveitar cada segundo, cada minuto, cada hora, cada dia, como se fosse realmente o último. E dá pra acreditar que isso realmente é verdade? Isso te faz valorizar as coisas. Ah, 2011… Obrigada por me deixar sonhar, por me dar o tempo certo de descobrir o valor das coisas, por me mostrar em quem eu posso confiar. Desculpe pelas vezes que eu não soube te aproveitar, pelas chances que eu perdi. Queria que existisse um “replay” agora. Voltar tudo, desde o início. Desde o começo, nas apresentações. Eu saberia te aproveitar e valorizar muito mais. Mas… E você, que está lendo isso? Realizou - pelo menos em parte - seus sonhos? Conheceu novas pessoas? Se apaixonou? Sorriu? Fortaleceu amizades? Compartilhou brincadeiras? Gravou momentos na sua memória? Tentou, antes de desistir? Agradeceu por poder ter a chance fazer tudo isso de novo em 2012? Aproveita, cara. Não tem “replay” pra nada aqui. É aproveitar ou se arrepender, e cai entre nós… A primeira opção é bem mais saudável.

Queria que as coisas voltassem a ser como antigamente. Antigamente… bem antigamente. Quando as pessoas valorizavam umas as outras. Quando o respeito não era uma mera palavra com significado inexistente. Quando a felicidade se baseava na família, nos amigos e no amor. Quando o amor era algo bonito, que dava como recompensa sorrisos e felicidade, e não sinônimo de dor. Quando a dor era apenas corporal e ninguém se sentia morto por dentro. Quando a morte era apenas causada por doenças irreversíveis, e não por pessoas, por vontade própria. Quando tudo era mais fácil, mais bonito, mais natural. Quando as coisas faziam algum sentido. Antigamente, sabe? Quando existiam pessoas verdadeiras. Só queria que as coisas fossem assim, com a… intensidade de antes. Intenso. Real.

Uma verdade: gestos são bem mais importantes que palavras.

E a gente acha que suporta tudo, que sabe tudo, que consegue tudo. A gente acha que tem controle sobre o destino, que pequenas ações não fazem diferença, que tudo é fácil. Que o tempo não importa, que todo mundo é verdadeiro e que o “pra sempre” existe mesmo. E daí vem a vida e te prova o contrário. A vida… a doce e complicada vida. Primeiramente, tira pessoas da tua vida que você não pensava que poderia viver sem. E realmente acha que não vai conseguir, mas consegue. Tudo bem, foram-se três ideias: a que você suporta tudo, a que você teria controle sobre o destino e que o “pra sempre” seria real. Ah, e a de que tudo é fácil também, pois você passa por tempos difíceis. Você aprende a se conformar com a ideia de que o tempo não volta, e vê a sua importância. Menos uma teoria: o tempo é importante sim. Você vê como estava errado em pensar que teria controle sobre a vida, que sabia de tudo o que aconteceria no seu futuro: menos uma, a de que você saberia de tudo. Ninguém na verdade sabe de nada, o futuro não é perfeito e previsível, ele é totalmente o contrário. Ele é cheio de curvas e se prova diferente do que pensamos que seria. E aí, as lembranças te atacam. Você lembra de como era bom um sorriso, uma risada, um olhar da tal pessoa que foi embora… de como essas pequenas coisas faziam uma enorme diferença. Bem, acho que já se foi mais uma, a que falava que as pequenas ações não fazem diferença. Pequenos gestos fazem toda a diferença. Então, nada disso é fácil. A saudade, a partida das pessoas… Nada na vida é fácil. A vida não é fácil. Bem… acabaram-se as teorias. Pode criar novas, se quiser. A vida é complicada o bastante para recusar todas e torná-las falsas. A vida é assim, meu colega… sutil. Sutil.
Música, amor e chocolate. Essas eram suas drogas favoritas. Música. Ah, a boa e velha música. Mas a nova também. Aliás, música, no geral. Ela desligava o mundo e aumentava o volume em seus fones de ouvido. Se perdia num mundo de tons, sons e acordes... As cordas a acalmavam, os batuques a agitavam. Ela gostava do mundo novo que a música transmitia, alguns melancólicos e nostálgicos, outros alegres e mágicos. Quando não sabia se expressar, sempre algum trecho falava por ela. Sempre que não sabia o que sentir, a música desvendava e explicava muito melhor do que ela poderia pensar, e ela amava isso… Amor. Que droga horrível esse tal de amor! Experimente-o uma vez e pronto, você já se encontra num ciclo vicioso de olhares-sorrisos-sentimentos-lágrimas-ciúmes-e-afins. Ela tinha medo de amar e sofrer, e, por isso, amava sozinha, calada e completamente segura. Ela era uma incógnita, um ponto de interroação, algo inexplicável, quem mais além dela conseguia controlar seus sentimentos? Ela gostava de ser assim. Gostar, ela gostava de muitas coisas. Adorar, adorava poucas; mas amar… amava pouquíssimas. Amava sua família, seus amigos, o Cara lá de cima, alguém que só ela sabia, música, chocolate… Chocolate. Ah, o chocolate. Como ela amava chocolate. Se engorda? Dane-se! Ela ama e pronto, e ponto. Ela era diferente, talvez estranha, mas diferente com certeza. Sendo diferente assim, construiu o caminho para sua própria felicidade, seguindo-o e admirando-o diariamente…

E eu não queria admitir o fato de que eu amava te odiar. Eu me via segura com esse sentimento de ódio, sentia como se estivesse criando uma barreira para me proteger de você. Mas esse “ódio” foi virando outra coisa… e amor e ódio se misturaram. Que coisa estranha. Eu tinha vontade de te matar e ao mesmo tempo sabia que poderia morrer por você. Queria fazer você chorar, só pra depois te colocar no meu colo e te mimar, falando que tudo ia melhorar. Você me deixava completamente louca, louca de ódio, louca de raiva, louca por você. Eu odiava tudo em você: seus olhos, seu cabelo macio, teu corpo, tua roupa, tua voz rouca, teu jeito. Odiava o fato de te amar e não conseguir admitir isso.

E se um dia você sentir saudade, lembre-se de que não fui eu que fui embora, você me deixou partir.

E eu soube que havia alguma coisa errada quando me perguntaram “Tudo bem?” e eu não sabia mais como responder.

E a gente aprende a continuar, mesmo com obstáculos no caminho. A sorrir, mesmo com dor no peito. A acreditar, mesmo com todos dizendo que não. A sonhar, mesmo com a realidade atrapalhando. A gente aprende a viver, mesmo pensando em desistir.